Na obra de contenção do córrego que cruza a região central, próximo à estação da CPTM, o projeto previa rebaixamento do lençol. Só que a estimativa de permeabilidade feita em gabinete não batia com o que a gente via no campo. Suzano tem uma geologia que engana — sedimentos terciários da Bacia de São Paulo intercalados com níveis argilosos e lentes de areia fina. Para resolver a equação, mobilizamos a sonda e executamos uma bateria de ensaios de permeabilidade in situ usando o método Lefranc, com carga variável nos primeiros metros, e onde encontramos rocha alterada, aplicamos Lugeon. Essa combinação nos deu o coeficiente k real, fundamental para dimensionar o sistema de drenagem e as ancoragens da cortina atirantada.
O ensaio Lefranc em carga variável captura a real condutividade hidráulica do solo residual, evitando subdimensionar sistemas de drenagem em Suzano.
Como trabalhamos
Fatores do terreno local
Suzano está sobre terrenos sedimentares da Formação São Paulo, com intercalações de argilas siltosas e areias finas que formam aquíferos suspensos. A profundidade do nível d'água oscila entre 3 e 8 metros, subindo forte na estação chuvosa. Se o projetista adota um coeficiente de permeabilidade estimado por tabela, corre o risco de errar em ordens de grandeza — e aí o rebaixamento não funciona, a escavação alaga, ou surge erosão interna no contato solo-rocha. O ensaio de permeabilidade in situ elimina essa incerteza. Com o dado real de k, a engenharia calcula a vazão de bombeamento, define a malha de drenos e garante a estabilidade da cava durante toda a obra. Pular essa campanha em solo suzanense é aceitar que o cronograma vai parar na primeira chuva forte de verão.
Material audiovisual
Marco normativo
ABNT NBR 16245:2014 — Ensaio de bombeamento e ensaio de infiltração, ABNT NBR 6484:2020 — Sondagem de simples reconhecimento com SPT, ABNT NBR 6122:2019 — Projeto e execução de fundações
Serviços técnicos vinculados
Ensaio de Permeabilidade Lefranc
O ensaio Lefranc é executado em furos de sondagem mistos ou exclusivos, nos horizontes de solo e saprólito. O laboratório controla a vazão injetada e a estabilização do nível dinâmico, entregando o coeficiente de permeabilidade (k) para cada profundidade ensaiada, em conformidade com a ABNT NBR 16245.
Ensaio Lugeon em Maciço Rochoso
Quando a perfuração atinge o topo rochoso, o ensaio Lugeon avalia a condutividade hidráulica das descontinuidades. Utilizamos obturador pneumático e bomba de alta pressão, registrando a absorção em unidades Lugeon (1 UL = 1 l/min/m a 10 bar), dado crítico para projetos de túneis e contenções em rocha alterada.
Parâmetros típicos
Perguntas e respostas
Em que tipo de terreno de Suzano o ensaio Lefranc é mais indicado?
O Lefranc é a escolha certa para os solos sedimentares e residuais que predominam em Suzano, especialmente nas argilas siltosas e areias finas da Formação São Paulo. O método funciona bem em furos de sondagem SPT, aproveitando o mesmo furo para medir a permeabilidade in situ, o que reduz o custo da campanha de investigação.
Quanto custa um ensaio de permeabilidade in situ em Suzano?
O valor de um ensaio de permeabilidade Lefranc ou Lugeon em Suzano fica na faixa de R$1.670 a R$2.400 por trecho ensaiado. O preço final depende da profundidade, da quantidade de trechos e da necessidade de mobilização de sonda específica para rocha. Enviamos orçamento detalhado após análise preliminar do perfil geológico previsto.
Qual a diferença entre o ensaio Lefranc e o Lugeon?
O Lefranc mede a permeabilidade em solos e saprólitos, geralmente com cargas hidráulicas baixas e sem confinamento do trecho por obturador. O Lugeon é específico para maciços rochosos fraturados: usa obturador pneumático para isolar um trecho do furo e aplica pressão em estágios até 10 bar, medindo a absorção de água pelas fraturas.
A chuva interfere no resultado do ensaio de permeabilidade?
A chuva pode alterar o nível do lençol freático superficial em Suzano, mas o ensaio Lefranc em carga constante ou variável é executado com o furo estabilizado e revestido, isolando o trecho de ensaio. O técnico monitora o NA antes de cada ciclo; se houver variação significativa, o procedimento é pausado até a estabilização, garantindo a qualidade do dado.
